O caminho de Deus em meio ao luto

O caminho de Deus em meio ao luto

Uma reflexão sobre o luto, na perspectiva do consolo e da esperança

Em meio à pandemia, com o coração apertado pelas perdas de irmãos queridos, nos reunimos para conversar sobre o luto, ou melhor, sobre O Caminho de Deus em meio ao Luto. Quando penso que existe um Caminho de Deus em meio ao luto, meu coração se enche de esperança. Hoje e nas próximas semanas, vamos falar sobre esse Bendito Caminho! Serão quatro textos que publicaremos aqui no blog. Acompanhe com a gente.

As Fases do Luto

Não sabemos lidar com a dor e, quando nos deparamos com o luto, percebemos que o sofrimento é único; cada pessoa sente, processa e reage ao luto do seu jeito e no seu tempo. Nosso desejo é que Deus tire a dor do nosso peito; Ele não nos livra da dor, mas caminha conosco em meio à dor! É um processo, com fases que vão e vem, durando em média 2 anos. Gosto do conceito de que o luto acontece em ondas. Ondas vão e vem. No início são ondas imensas, como tsunamis, depois essas ondas vão ficando mais espaçadas e de menor amplitude. Didaticamente, as fases do luto são negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. “Isso não tá acontecendo comigo”, “não é verdade”, são frases que caracterizam a negação. É o momento em que é difícil acreditar na perda. “Por que Deus fez isso comigo?”, “Se tivesse feito isso ou aquilo, tudo seria diferente”, são pensamentos da raiva, a fase dos ‘e se…’. A raiva sempre procura um foco: pessoas, Deus ou si mesmo. Na barganha, acordos, às vezes secretos, acontecem buscando minimizar a dor. Então, vem a depressão do luto, com uma falta de sentimentos, um vazio; “será que vou conseguir sentir de novo?”, é o medo do coração anestesiado. E, por fim, a aceitação, onde existe o enfrentamento da dor e a ressignificação da vida, buscando perceber o caminho e como continuar.

 O caminho

Fico maravilhada diante da Palavra de Deus tão sob medida à nossa realidade! Isaías 6.1 a 8 fala de um período de luto: “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor…” (v.1). Que ano difícil foi aquele! A nação perdeu seu rei, depois de 52 anos de governo. E Isaías perdeu mais do que o rei; perdeu seu parente, provavelmente a pessoa que o apoiava e sustentava. Em meio à profunda dor, Isaías viu o Senhor! Uau!!! Difícil entender a grandeza, a profundidade do que aconteceu com Isaías… ele viu o Senhor!!! Perceber que Deus nos encontra em nossa dor é impactante! Ver o Senhor muda tudo. Mudou a vida de Isaías e muda a nossa vida. Isaías viu Deus no Trono, em Sua Majestade e Soberania; viu também os serafins e os ouviu dizendo uns aos outros: Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos. Toda a terra está cheia da Sua Glória” (v.3). Com os serafins, aprendo que, como corpo de Cristo, podemos lembrar um ao outro Quem é o nosso Deus e que nada, nem mesmo a pandemia, pode ofuscar a Sua Glória revelada em toda a terra! Quero aprender a falar mais com meus irmãos da glória de Deus! Contemplar a santidade de Deus, ver o Senhor, é o bálsamo que precisamos no caminho do luto! Em meio ao sofrimento, mudanças e incertezas, Deus continua sendo Deus. Com nossa miséria exposta, nossa fragilidade revelada, nos vemos perdidos. “Ai de mim, estou perdido” (v.5), é o grito do coração quebrantado diante do Único capaz de curar e socorrer. Bendita cura que vem do Senhor! Dele vem o perdão e a restauração. Ele é quem transforma “lábios impuros” (v.5), em adoradores dispostos em Suas mãos, “eis-me aqui, envia-me a mim” (v.8). A jornada continua enquanto estamos vivos! O Caminho de Deus em meio ao Luto é vivido dia a dia na presença do Senhor. Os sentimentos, mesmo confusos, podem e devem ser expostos. As lembranças doem profundamente, mas também curam; são pequenos milagres. Devem ser compartilhadas!

 O compartilhar

A maior necessidade de quem enfrenta o luto é ter alguém para ouvir. Ouvidos curam e quem aprende a ouvir, se coloca junto na dor. Mas, por não saber o que dizer, nos afastamos, escolhemos o silêncio e a distância, causando ainda mais dor ao que sofre. Os erros que cometemos estando perto, falando coisas ‘erradas’, são menores do que o silêncio do afastamento! Deus nos encontra em nossa dor; “tu estás comigo” (Sl 23.4) é a realidade da Presença do Senhor. Esse é o modelo! Encontrarmos ao Senhor, encontramos um ao outro, e seguirmos juntos no Caminho de Deus em meio ao Luto! 
  • por Elayne Manzano, missionária em Asas de Socorro, enfermeira, mãe e conselheira.