água limpa

O Projeto Água Limpa para os Curumins começou em 2018. Atuamos em 28 comunidades, beneficiando um total de 1100 pessoas. Nossas ações geram uma
melhor qualidade de vida- estimulam a gestão sustentável dos recursos hídricos, o consumo de água potável, o tratamento de dejetos e resíduos sólidos.

Trabalhamos com processos educativos, mobilização de grupos e busca de recursos para programas sustentáveis. As comunidades da região têm nos recebido de forma acolhedora e com muita disposição de trabalhar em parceria.

A MEAP (Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores) é uma importante parceira no projeto Água Limpa para os Curumins. Somos gratos ao Senhor pelos relacionamentos construídos em cada singular comunidade.

A vida no interior da Amazônia é bem diferente daquela que conhecemos, ou, pelo menos, daquela que a maior parte de nós conhece.

Na Amazônia, as estradas são os rios, e o deslocamento de um local a outro pode levar muitas horas, ou até mesmo dias. Além disso, quando você mora em alguma comunidade ribeirinha do interior da floresta, seu deslocamento de um local a outro depende de muitas variáveis, entre elas- a estação do ano vigente, a potência do motor do barco, e o rio em que você navega.

Se você estiver se locomovendo pelo interior da Amazônia, em um barco, pelo rio Purus- um rio conhecido por suas inúmeras curvas- seu deslocamento é sempre difícil. Muitas horas, ou dias, são necessários para se deslocar de uma comunidade a outra, mesmo em um barco potente, e ainda mais durante a época das secas- na qual os rios
ficam mais difíceis de serem navegados.

No Rio Purus, percorrer até mesmo pequenas distâncias é sempre um desafio. Eunice Bueno, superintendente do departamento de desenvolvimento integral transformador de Asas de Socorro, conhece bem a realidade das comunidades no RioPurus e relata.

Se alguém é picado por cobra em uma comunidade do Rio Purus, e precisa ser levado até outra para ser socorrido, este transporte pode demorar horas ou dias. É tudo muito distante e nós só conseguimos chegar a estas comunidades para desenvolver o projeto Água limpa, com suas ações de transformação social e socorro, porque temos o avião para nos transportar. Só chegamos onde chegamos porque somos uma organização de aviação missionária. Alguns locais em que desenvolvemos projetos, às margens do Rio Purus, ficam sem receber assistência de governos locais e outras organizações por longos períodos do ano, porque é muito difícil chegar em algumas comunidades. Nós só chegamos por causa da aviação, e lá desenvolvemos trabalhos que dão acesso à água limpa e a uma melhor qualidade de vida”.

Desafio que nos levou à criação do projeto- Falta de água purificada para consumo diário

Somente 38 municípios da região norte têm condições de oferecer saneamento básico adequado à população.
A região norte é a que menos atende os requisitos necessários de saneamento básico do Brasil, segundo o Ranking da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) da Universalização do Saneamento, divulgado na segunda-feira (17) de junho de 2019. Das 27 capitais brasileiras, Porto Velho (RO) fica em último lugar.

Dos 449 municípios da região norte, somente 8,67% ‒ isto é 38 municípios ‒, têm condições de oferecer à população saneamento adequado.
Fonte- www.oeco.org.br (este estudo deve ser o mais recente, já que ano passado foi o ano de pandemia, e não foi realizado o censo

Entendendo mais…

Segundo Eunice Bueno, os profissionais de saúde e professores que atendem em comunidades ribeirinhas sempre dizem que a grande maioria das doenças é causada pela água contaminada que é consumida pela população.

Em nossas clínicas médicas nas comunidades ribeirinhas, sempre ouvimos dos médicos voluntários e professores locais que um dos grandes problemas das comunidades é a falta de acesso a uma água limpa para se beber. Muitas vezes é dado medicação para a população em nossos atendimentos, mas os problemas de saúde sempre voltam, porque a fonte do problema é a água que a população consome.

Diante de tal situação, Asas de Socorro implementou o projeto Água limpa para os curumins”, na região do Rio Purus.

Mudando a água que se bebe, melhorando a vida de homens, mulheres, crianças e adultos, no interior da floresta Amazônica.

Depoimento de beneficiado

O projeto Água limpa para os curumins do Amazonas’, em parceria com a comunidade, Asas de Socorro e Tearfund, construiu uma estação de tratamento de água na comunidade de Jaime, Kakuri, e em outras 16 comunidades ribeirinhas do Amazonas.

Abaixo, relato de Jaime Ferreira, indígena, missionário em comunidades ribeirinhas, uma pessoa que conhece bem a realidade ribeirinha e sabe como foi benéfica a instalação dos filtros nas comunidades.

Como é não ter água limpa para beber? Rapaz, é muito ruim. Quando a gente tomava água, mastigava areia. Agora, a água desce liso na garganta” comemora Jaime, cheio de alegria, contando, em seguida, como tudo aconteceu.

A água do rio Purus é uma água barrenta. Não daria para beber, mas não tinha outra e a gente tomava essa água mesmo. Todo mundo da comunidade descia para a beira do rio e pegava a água.

No verão, o rio estava mais baixo e tinha que andar longe para pegar a água. No inverno, o rio estava cheio e a gente podia pegar a água mais perto. Na beira do rio, a gente punha a água no tambor ou em caixa e a usava por um ou dois dias. A gente carregava a água na cabeça ou no ombro e usava ela para lavar louça, fazer comida, beber. Era uma água escura e barrenta.

Crianças e adultos tinham diarréia por causa da água. O rio Purus tem uma correnteza grande e por isso faz a água ficar barrenta. A gente olhava assim e não tinha vontade de tomar da água, mas, como todo ribeirinho, não tinha acesso a outra.

Às vezes, a gente coava a água com um pano e um pouco do barro ficava no pano. O avô da minha esposa faleceu por causa da diarréia causada pela água. A gente não tinha recursos para cuidar dele, e ele faleceu. Aqui é muito calor e a gente bebe muita
água, mas a água não matava a sede porque era quente e barrenta. E, quando a gente tomava um copo d’água, dava dor de barriga.

Mas agora, graças a Deus, desde que foi instalado a caixa de água com o filtro na comunidade, é muito raro ver criança chorando com dor de barriga, com diarréia, porque todos tomam da água limpa e filtrada.

Do rio, a água vai para a caixa d’água, de lá, para um filtro, e do filtro ela sai na torneira. Agora, em vez de ir no rio pegar água, a gente sai de casa e vai na torneirinha. Enche o balde de água limpa. É muito mais fácil. Não precisamos descer e subir o barranco para pegar água, o que era muito cansativo. Agora, pega a água fácil, na torneira, e a água sai filtrada e limpinha, gostosa de se tomar. Você pega um copo grande e toma para matar a sede, com vontade.

Me alegra ver o agir de Deus. Com a ajuda de Deus, este projeto foi feito e deu tudo certo. É bom ver o meu povo feliz de ter uma água boa. Sou muito grato a Deus. Deu trabalho, toda a comunidade se envolveu para construir a estrutura da caixa d’agua e do filtro. Com a ajuda da comunidade e das organizações, tudo se tornou mais fácil. Outro dia, veio uma vizinha de uma outra comunidade e ficou feliz em beber da nossa água. Todos estão felizes.

O que tenho a dizer ao pessoal que nos ajudou? Muito obrigado pelo esforço em nos ajudar. Muitas lutas aconteceram para que houvesse esta benção na comunidade. A gente não tem como pagar, mas sou muito grato a Deus e a todos que ajudaram.”,
diz Jaime Ferreira, feliz em ter água para todos dessa comunidade ribeirinha.

Jaime Ferreira, indígena, missionário em comunidades ribeirinhas

Nos ajude levar Água limpa para os corumins

Contribuindo você ajudará:

  • Contribuir para a construção das artes na comunidade de São José do Araras.
  • Criar meios para o resgate cultural da comunidade.
  • Criar oportunidades de desenvolvimento para crianças e jovens.